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Aconselhamento Genético
Consulta com o especialista
O Aconselhamento Genético
(AG) visa auxiliar famílias através da oferta de suporte
emocional e técnico. Procura-se explicar e discutir as causas
de determinados "problemas genéticos", seus riscos
de ocorrência e recorrência, bem como, as possibilidades
de prevenção, diagnóstico e tratamento.
Indicações:
- Casais com abortamento habitual, ou seja, abortos repetidos;
- Orientação quanto ao uso de medicamentos e outros
tipos de drogas no decorrer da gestação;
- Risco para anomalia cromossômica fetal;
- Infecções congênitas (Rubéola,
Toxoplasmose e Citomegalovírus);
- Casais com antecedentes de doenças familiais ou hereditárias;
- Casais consangüíneos (com grau de parentesco);
- Gestantes expostas a radiação ionizante (exposição
intensa a raios X ou ensaios radiotivos laboratoriais, por exemplo);
- Filhos com retardo mental e/ou malformação
congênita;
- Gestantes com feto portador de malformação detectada
em ultra-sonografia de rotina no pré-natal;
- Homens oligospérmicos ou azoospérmicos;
- Mulheres com amenorréia (ausência de menstruação).
Diagnóstico
Pré-Natal de Infecções Congênitas
Toxoplasmose, rubéola
e citomegalovirose são infecções transmitidas
com maior freqüência ao feto e o diagnóstico pré-natal
destas pode ser realizado através de ultra-sonografia e análise
de líquido amniótico. Durante o período de
gestação, ocorre transmissão ao feto em cerca
de 40% dos casos de manifestação de toxoplasmose materna
na forma aguda.
Nesses casos, o recém-nascido acabará manifestando
a doença na forma clínica ou sub-clínica. Na
rubéola, o risco de acometimento fetal é controverso,
mas superior a 50% no primeiro trimestre da gestação.
Na citomegalovirose, há risco de 30 à 40% de acomentimento
fetal em qualquer período da gestação. Atualmente,
valoriza-se muito a coleta de líquido amniótico (amniocentese)
nos casos de suspeita de infecção fetal por citomegalovirose
e toxoplasmose.
O líquido colhido serve para o isolamento do agente etiológico
e para detecção de DNA deste (PCR). A utilização
simultânea do isolamento e da PCR aumenta a confiabilidade
dos resultados obtidos.
O controle ultra-sonográfico deve ser rígido e realizado
ao menos uma vez a cada trimestre da gestação, quando
há suspeita de infecção fetal. O risco de transmissão
do Toxoplasma gondii ao feto pode ser minimizado com a administração
de Espiramicina (Rovamicina , 3g ao dia), desde o momento da suspeita
de infecção até o termo. Quando se confirma
a infecção fetal, utiliza-se o esquema alternado Rovamicina
– 3g ao dia por 3 semanas alternado com 3 semanas de Pirimetamina
– 50mg ao dia, mais Sulfadiazina 3g ao dia e Ácido
fólico 5 mg ao dia.
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TOXOPLASMOSE |
RUBÉOLA |
CMV |
| Agente |
Toxoplasma
gondii |
Vírus
(RNA) |
Vírus
(DNA) |
| Risco de
Transmissão Fetal |
Maior no 3º.
Trimestre |
Maior no 1º.
Trimestre |
Toda a Gestação |
| Risco de
Dano Fetal |
Maior
no 1º. Trimestre |
Maior
no 1º. Trimestre |
Toda
a Gestação |
| Amniocentese
(Após 15 Semanas) |
PCR + Isolamento |
PCR |
PCR + Isolamento
(Mais Utilizado) |
| Sinais Ultra-sonográficos |
Hepatomegalia,
Ascite, Hidrocefalia e Calcificações Intra-cranianas |
Microftalmia,
Hidropisia, RCIU e Alterações Cardíacas |
Hidrocefalia,
Calcificações Intra-cranianas, RCIU e Hidropisia |
| Conduta,
se DPN positivo e decide-se manter a gestação |
Esquema alternado
+ Ultra-som mensal |
Ultra-som mensal |
Ultra-som mensal |
| Principais
Sequelas |
Hidrocefalia,
Hepatoes- plenomegalia e Lesão Ocular |
Catarata,
Surdez e Lesão Cardíaca |
Lesão
Ocular (uveíte), Micro/Hidrocefalia, Surdez |
Crianças com Retardo
Mental e Malformações Congênitas
Na prática
médica diária, depara-se frequentemente com crianças que apresentam
alguma alteração do desenvolvimento global, seja nas funções motoras,
seja nas cognitivas. Por vezes, além desses sinais, observa-se também
alterações dismórficas e malformações de orgãos internos como por
exemplo, cardiopatias congênitas e malformações renais.
A maioria
dos pacientes pediátricos vem à consulta com o geneticista por apresentar
retardo de desenvolvimento neuropsicomotor ou desvios do fenótipo.
Tanto a criança com apenas alteração de desenvolvimento, como aquela
com alterações dismórficas necessita da assistência de um geneticista
clínico para que este a avalie com vistas a confirmar ou afastar
a possibilidade de se estar diante de alguma síndrome, genética
ou não.
As síndormes
de causa genética podem ser cromossômicas, monogênicas ou multi-fatoriais.
Aquelas de determinação não genética podem ter causas ambientais
como no caso das exposições intra-útero a agentes teratogênicos,
infecciosos ou medicamentosos.
Consta da
avaliação clínica a anamnese com enfâse ao histórico familiar e
perinatal e às etapas do desenvolvimento psicomotor, bem como exames
físicos-normais e detalhados acompanhados de estudo antropométrico,
dermatoglífico e fotográfico. De acordo com as informações obtidas,
pode-se recorrer a exames complementares quando houver indicação.
Estudo cromossômico, triagem urinária, dosagens sorológicas, raio-X
do esqueleto, ultrasonografia renal, ecocardiograma, tomografia
computadorizada e ressonância magnética são os exames mais comuns.
A conclusão diagnóstica, caso permita estabelecer o risco de recorrência
associado a determinada patologia, é utilizada para orientar casais
em seus planos reprodutivos.
De qualquer
modo, tal conclusão é de fundamental importância para orientar os
pais a conviver com o problema e a reconhecer os recursos terapêuticos
que, se não forem capazes de levar à cura, proporcionarão as melhores
condições de vida para a criança.
Além disso,
é fundamental acompanhar periodicamente os pacientes e seus pais,
sobretudo em casos de doença monogênica para a qual não foram desenvolvidas
as ferramentas de diagnóstico da biologia molecular. Esta permite
confirmar o diagnóstico sindrômico e antecipar, através do diagnóstico
pré-natal em fase relativamente precoce, se outro filho em gestação
apresentará a doença após nascer. |