Cesária Minimamente Invasiva é a novidade da obstetrícia

Dr. Thomaz Gollop

Uma técnica de cesárea desenvolvida em Israel acaba de ser trazida ao Brasil, onde promete revolucionar a obstetrícia, a exemplo do que tem acontecido na europa. Trata-se do conceito de cirurgia Minimamente invasiva que agora também facilita o nascimento de bebês.

Através desta técnica, descola-se menos tecidos, menos feixes nervosos e vasos são lesados, provocando menos áreas que precisam de cicatrização e muito menos dor no pós-operatório.

Este tipo de cirurgia utiliza o mesmo instrumental que uma cesárea comum, com a diferença de que, na sutura, fecha-se o útero em um único plano. O peritônio – camada que reveste o útero – não precisa ser fechado. A camada do peritônio localizada na parede do abdome também não é fechada. Fecha-se o útero, a aponevrose, o subcutâneo e a pele. No princípio, a musculatura também levava pontos, mas agora já se sabe que essa sutura também é desnecessária. São apenas quatro fechamentos ao invés de sete.

Ao utilizar menos fios de sutura, diminui-se os fatores irritativos. Isso também é muito importante do ponto de vista da saúde pública, porque essas cirurgias são bem menos onerosas, já que utilizam menos material e podem ter o tempo de duração reduzido pela metade, se comparadas ao método tradicional, que dura, em média, uma hora. É muito importante reduzir custos cirúrgicos em um país como o nosso, tanto para as seguradoras privadas quanto para o Sistema Único de Saúde (SUS).

A recuperação das pacientes é muito mais fácil. Elas podem se levantar e caminhar seis horas após a cesárea e, alguns dias depois, praticamente não se nota que passaram por uma cirurgia.

Na verdade, isso é uma novidade aqui no Brasil, mas, no mundo, já é praticada há cerca de 15 anos. O que é novo sempre assusta, por isso é muito difícil avaliar a aceitação no âmbito da classe médica brasileira.

A técnica é muito fácil e um profissional habilitado não precisa vê-la mais de quatro vezes para estar apto a realizá-la. Atualmente apenas nossa equipe realiza esse tipo de cirurgia no Brasil e, em oito meses, fizemos 50 cesáreas.

O intuito dessa técnica não é ganhar tempo, mas melhorar a recuperação das pacientes e utilizar menos medicação analgésica no pós-operatório, já que o processo é menos doloroso.

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