Médicos discutem cirurgia mais barata e menos dolorosa.

Laura Capriglione (Folha de São Paulo 19 de Dezembro de 2006)

Evento em hospital em SP debaterá a aplicabilidade da técnica da “mínima invasão” nas cirurgias obstétricas e ginecológicas.
A nova frente que está sendo explorada pelos pesquisadores dessa técnica são as cirurgias feitas por orifícios naturais do corpo.

Cirurgias com menos dor, menos uso de analgésico, menos febre, menos tempo de internação, menos tempo de recuperação do paciente. Registre o nome que compreende tudo isso e, ainda por cima, cobrando preço bem menor: “cirurgia minimamente invasiva”.

Para explicar tanto minimalismo, o Hospital Israelita Albert Einstein promove, hoje e amanhã, simpósio internacional que discutirá a aplicabilidade da “mínima invasão” nos campos da cirurgias obstétricas e ginecológicas. Presentes estará o médico pesquisador Michael Stark, presidente da Nova Academia Européia de Cirurgias, sediada em Berlim.

Foi Stark quem primeiramente dispôs-se a rever vários procedimentos cirúrgicos, eliminando, quando possível, etapas desnecessárias causadoras de sofrimento. Exemplo de aplicação do princípio da cirurgia minimamente invasiva foi desenvolvido por Stark em 1994 para cesáreas. Mas as técnicas de “mínima invasão” já chegaram aos campos da ortopedia, da ginecologia, da cirurgia vascular e geral.

O professor da universidade de São Paulo e coordenador científico do simpósio, o médico Thomaz Rafael Gollop, explica que os partos por cesariana feitos de maneira tradicional descolam até a altura do umbigo uma camada de tecido localizada sobre o músculo abdominal, chamado aponeurose, percorrida por nervos e vasos. “Imaginava-se que esse deslocamento fosse essencial para a saída do bebê”, diz o médico. “Hoje, sabe-se que não é.”

Custos hospitalares
O minimalismo na cesárea prevê ainda que o médico não precise mais suturar algumas camadas de músculos e tecidos, reduzindo o risco de aderência, febre e inflamações.

A recuperação é muito mais rápida. No mesmo dia, mulheres submetidas a cesárea já podem andar sem sentir dor. A alta pode ocorrer a partir do segundo dia de internação e reduzem-se os custos hospitalares”, explica Gollop.

Não existe consenso sobre o assunto. O ginecologista Wilson Carrara, professor doutor pela Faculdade de Medicina da USP, por exemplo, considera o deslocamento da aponeurose um facilitador para a retirada do bebê. “É preciso discutir muito ainda”, diz ele.

Histerectomias, ou cirurgias de retirada de útero, indicadas em casos de miomas de grandes proporções, e de hemorragias abundantes, também ganham qualidade se feita por via vaginal. “Uma paciente não acreditou que já tínhamos feito a remoção do útero dela. Quase não tinha dor e não havia cicatriz aparente”, afirma Gollop.

A nova frente que está sendo explorada pelos pesquisadores da “mínima invasão” são as cirurgias feitas por orifícios naturais do corpo. Para operar vesícula biliar, por exemplo, os minimalistas introduzem o instrumento cirúrgico por dentro do tubo digestivo. Um corte na parede do estômago, e se atinge a vesícula. O procedimento não deixa cicatriz aparente e a recuperação é mais rápida, porque menos camadas de tecidos têm de ser atravessadas para se atingir o ponto a ser tratado.

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