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Mioma: um intruso
silencioso
Inahlá
Castro (Folha Universal - Medicina & Saúde - 16 de janeiro
de 2005)
Ele é provavelmente a maior
patologia com maior indicação de cirurgia em todo
mundo. Sua causa exata ainda é desconhecida, mas a medicina
indica que está intrinsecamente relacionada à produção
de hormônio feminino chamado estrogênio.
Definido como o aumento de células da musculatura do útero,
o mioma é um tumor benigno que, se detectado a tempo, pode
ser tratado e desaparecer. Em estágio mais evoluídos
só pode ser retirado cirurgicamente e, em casos mais extremos,
a única solução é a histerectomia (retirada
do útero). Normalmente aparece em mulheres entre 35 e 55
anos e uma paciente pode desenvolver tento um único mioma
como vários. Na menopausa esses tumores tendem a regredir
em função da queda na produção hormonal.
Exames ginecológicos periódicos podem detectá-los
ainda em fase inicial, o que facilita o tratamento.
O médico Thomaz Gollop, ginecologista e obstetra, explica
que os miomas são divididos em três tipos: Subseroso
(forma-se na parte externa do útero), Intramural ( dentro
da parede do útero) e Submucosos (na parede interna do útero,
junto à cavidade do mesmo). Eles são tumores benignos
e sua degeneração maligna é muito rara, ocorrendo
em menos de 0,5% dos casos.
As causas do mioma não são completamente conhecidas,
mas os especialistas apontam que a sensibilidade maior da paciente
ao estrogênio é um fator a ser considerado. As mulheres
de raça negra também apresentam maior propensão
à formação desses tumores, mas a razão
disso ainda é um mistério.
Segundo o Dr. Gollop, os métodos clínicos para tratamento
são pouco eficazes a médio prazo e, em tratamento
longos, os medicamentos podem levar à osteoporose. As cirurgias
são indicadas apenas em três situações:
1) quando há uma hemorragia
2) aumento de volume
3) dor
Quando a cirurgia é necessária em mulheres que estão
no período fértil e que ainda pretendem ter filhos,
o procedimento indicado, se possível é a miomectomia,q
eu é a extração do mioma sem destruição
do útero – explica o Dr. Thomaz.
Nova técnica
para retirada do útero
Histerectomia é o termo médico que defini a retirada
do útero. Até agora essa cirurgia era possível
nas formas abdominal, com um corte feito na parte inferior na parte
inferior do abdome, e videolaparoscópia, através de
pequenas cânulas de metal que são inseridas na região.
Atualmente, são introduzidas micro-câmeras que auxiliam
a visualização dos procedimentos, o que se denomina
vídeo-laparoscopia, que vinha sendo o que há de mais
avançado nas técnicas minimamente invasivas, todas
com anestesia geral.
Mas, um novo procedimento tem se apresentado como a grande revolução
na cirurgia de retirada de útero, que é a histerectomia
vaginal. Esta técnica permite que a cirurgia seja feita pela
vagina e com anestesia tipo raqui, que é regional. O Dr.
Gollop, um dos precursores da técnica no Brasil, considera
que este método traz inúmeros benefícios às
pacientes e ao próprio Sistema Único de Saúde
(SUS).
Além da recuperação pós-operatória
ser muito mais rápida, já que entre 3 e 4 dias a mulher
está apta a fazer a retomar suas atividades profissionais
e domésticas, o procedimento apresenta pouco sangramento
e é praticamente indolor, o que não é uma características
das técnicas utilizadas até agora. A paciente pode
receber alta no dia seguinte à cirurgia e não é
necessário retorno para retirada dos pontos – explica
o Dr. Thomaz, que ainda ressalta a importância da economia
que este tipo de cirurgia pode representar para o SUS, já
que o tempo de internação é reduzido, assim
como os custos com material cirúrgico e anestesista.
Segundo o especialista, a histerectomia vaginal pode ser realizada
em 90% dos casos e a novidade é que agora se torna possível
também em úteros grandes, de até 1 kg e que
não apresentam queda (prolapso). O Dr. Gollop esclarece também
que esta técnicas permite realizar, simultaneamente, correções
como incontinência urinária, entre outras.
Hospitais público do Brasil estão utilizando a histerectomia
vaginal em útero sem prolapso nos estados de São Paulo
(Hospital Brigadeiro), Paraná, Rio Grande do Sul e também
na região nordeste, mas apesar de uma natural resistência
às novidades, o Dr. Gollop acredita que as medicina não
demorará a tomar esta técnicaa mais utilizada.
A fé e a tecnologia
Denise Adão, de 39 anos, vinha tratando um mioma desde 1998.
Como as medicações já não resolviam
o problema e o volume de seu útero dobrou de tamanho em três
meses, ela recebeu indicação para cirurgia e, a princípio,
passaria por uma histerectomia abdominal para retirada do útero.
Mãe de três filhos e avó de uma menina, Denise
estava apreensiva com a operação, pois sua cunhada
havia passado pelo mesmo procedimento e sofreu muitas dores.
Minha cirurgia estava marcada para outubro de 2004, teve que ser
adiada porque o médico precisou se afastar. Em novembro,
houve uma seleção de pacientes a serem submetidas
à histerectomia vaginal no Hospital Brigadeiro, e eu estava
entre as 10 escolhidas. Creio que foi uma porta aberta por Deus
– conta Denise, que diz, ter ficado internada por apenas três
dias e saiu do hospital caminhando normalmente e sem sentir dores.
Mioma, gravidez e vida sexual.
O Dr. Thomaz Gollop explica que é possível que uma
pequena mulher passe por uma gravidez, mesmo tendo apresentado um
mioma, mas será necessário acompanhar o tamanho do
tumor e seu nível de interferência no desenvolvimento
do útero.
Mulheres que passaram por miomectomia (retirada do mioma sem destruição
do útero), normalmente podem engravidar de 3 a 6 meses após
a cirurgia.
Quanto á vida sexual, o médico explica que a retirada
do útero não altera a libido, já que os ovários
são preservados. Por isso, mesmo após passar por uma
histerectomia, a mulher pode continuar a ter uma vida sexual normal.
Como a nossa cultura privilegia a fertilidade da mulher e a virilidade
no homem, é possível que algumas pacientes tenham
problemas emocionais ao passarem por uma histerectomia, pensando
que sua sexualidade será de alguma forma prejudicada, mas
isso não tem nenhum fundamento do ponto de vista fisiológico
– diz o especialista.
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