|
|
Perigos da cesárea
dividem especialista
Da Reportagem Local
O comodismo do agendamento
da cirurgia e o fato de o valor pago ser o mesmo tanto para o parto
vaginal quanto para a cesárea são as principais razões
que levam os médicos a “superindicar” a cesariana,
avaliam os especialistas.
Para o ginecologista e obstetra Thomaz Gollop, professor da USP
e médico do Hospital Albert Einstein, o fator econômico
influencia o obstetra. “O trabalho do parto vaginal pode demorar
oito, nove, dez horas. Já a cesárea leva uma hora.
E ele recebe o mesmo valor pelos dois. É claro que vai optar
pela cesariana.”
Gollop afirma que nos países desenvolvidos o parto natural
é mais difundido porque, em geral, o médico que faz
o pré-natal não é o mesmo que realizará
o parto.
Na avaliação de Ana Cristina Tanaka, professora da
Faculdade de Saúde Pública da USP, se não houver
uma educação médica consistente, o pacto proposto
pela ANS não vai funcionar. Ana Cristina diz que, mesmo com
a redução de 15% mencionada pela agência, os
índices ainda estarão muito acima do aceitável.
Para a professora, também é preciso reduzir a taxa
de cesáreas no SUS. Embora os números oficiais indiquem
um índice de 27,5% de cesarianas, ela diz que muitos hospitais
públicos ultrapassam o número de procedimentos pagos
pelo governo federal. “Só entra na estatística
do SUS o que é pago. Quando a gente analisa o número
de nascidos vivos, vemos que a taxa de cesárea passa de 30%”,
afirma a especialista.
Mas a questão do maior risco das cesáreas –
aumento de problemas respiratórios no bebê e de mortalidade
materna – ainda divide os especialistas.
Gollop vê com ressalva esses dados e alega que o parto vaginal
pode trazer no futuro, como incontinência urinária
, queda da bexiga e alterações na posição
do reto.
Ele afirma que nos países desenvolvidos, que sempre priorizam
o parto vaginal, as mulheres começam a ser informadas sobre
esse risco. “No sistema público, a incidência
dos defeitos do assoalho pélvico é cada vez maior
e isso está ligado ao parto vaginal.”
Ana Cristina discorda de Gollop sobre os possíveis prejuízos
do parto normal à região pélvica da mulher.
“Não há evidências científicas
sobre isso”, diz ela.
Já os riscos ao feto da mãe, na sua opinião,
são incontestáveis. “Além dos desconfortos
respiratórios, também há maior risco de paralisia
cerebral no bebê. Já as mães podem sofrer hemorragia
e infecção puerperal.”
Para Karla Santa Cruz Coelho, da ANS, também é fundamental
analisar quais serão as conseqüências futuras
de cesarianas feitas sem que os bebês tenham atingido por
completo potencial de desenvolvimento. Fetos de 37 a 38 semanas
de gestação possuem 120 vezes mas chances de apresentar
a síndrome da angústia respiratória quando
comparados aos fetos com mais de 39 semanas.
Voltar |