|

|
Recurso alternativo
Técnica cirúrgica trata miomas sem
deixar cicatrizes.
Juliane Zaché
(Isto é/1785 - 17 de fevereiro de 2003)
Calcula-se
que 30% das mulheres acima de 40 anos tenham mioma, um tumor benigno
que surge na musculatura do útero. Para boa parte delas o
problema passa despercebido. Mas para outras, é comum ocorrer
sangramento abundante fora do período menstrual. Se não
for tratado pode levar à anemia. Para oferecer as mulheres
mais um recurso de tratamento, vários centros de saúde,
como os hospitais Brigadeiro e Santa Casa, São Paulo, e o
Hospital Universitário de Londrina (PR), estão substituindo
as operações para retirada do útero (feita
com cortes abdominais) pela cirurgia vaginal.
As técnicas tradicionais dão bons resultados, mas
a intervenção vaginal apresenta vantagens por ser
realizada de modo simples. A paciente recebe anestesia peridural.
Em seguida, instrumentos específicos são usados para
abrir o canal da vagina até o útero. Os médicos,
então, cortam os vasos e ligamentos que prendem o órgão
na região pélvica. Depois, com o auxílio de
pinças cirúrgicas, o útero é retirado
aos poucos e o canal vaginal é fechado com pontos.
A paciente deixa o hospital no dia seguinte e volta às atividades
em uma semana. A retirada do útero pela forma convencional
obriga a mulher a permanecer três dias no hospital. O retorno
ao trabalho pode demorar três semanas. Além disso,
a operação pela via vaginal não deixa cicatrizes
“Algumas nem acreditam que foram operadas”, diz Ricardo
Pereira, um dos pioneiros da técnica no País. A agente
de saúde Silvia Brandão, 50 anos, que sofria com miomas
havia 15 anos, receava fazer a cirurgia. “Achei que seria
complicada, mas foi simples. Estou ótima”, conta.
As instituições que adotaram a técnica estão
satisfeitas. “Os custos são significativamente menores”,
afirma Thomaz Gollop, cirurgião do Hospital Brigadeiro de
São Paulo. A técnica é contra-indicada para
quem tem endometriose (implante da camada interna do útero,
endométrio, fora da cavidade uterina). “O problema
pode levar o órgão a aderir a estruturas próximas,
o que dificulta a sua retirada”, explica o ginecologista Arnaldo
Ruiz, de São Paulo. Os miomas também podem ser controlados
com remédios. A escolha pela melhor alternativa leva em conta
fatores como idade e se a mulher tem filhos.
Voltar |