Diagnóstico Intra-Útero

As abordagens intra-útero são procedimentos terapêuticos que visam corrigir, ainda que temporariamente, alguma situação que se estabeleceu no feto, que comprometeu seu bem estar intra-útero, até que possa nascer e uma intervenção mais eficaz possa ser realizada.

- Transfusão intra-útero
- Cirurgia intra-útero

Transfusão intra-útero

Em circunstâncias especiais, a transfusão intra-útero pode tornar-se necessária, principalmente para tratar os efeitos causados pelas aloimunizações Rh ou Kell, bem como, pela talassemia major, apenas para citar alguns exemplos. Nos casos em que a mãe Rh negativa é aloimunizada, produz-se anticorpos que destrõem hemácias do feto Rh positivo. O organismo fetal tende a compensar a destruição de hemácias produzindo células de linhagens mais imaturas.

A transfusão intra-uterina nestes casos, utiliza sangue irradiado do tipo "O" negativo, interrompendo a ação dos anticorpos maternos. Nosso protocolo atual de conduta, verifica a genotipagem paterna, a fim de averiguar se haveria alguma probabilidade de o casal vir a ter um feto Rh negativo. Solicitamos um teste indireto de Coombs para orientar a gestante quanto ao grau de aloimunização.

Solicita-se ultra-sonografias seriadas à partir de 18 semanas gestacionais com o objetivo de buscar sinais de hidropisia fetal, tais como: espessura aumentada da placenta, ascite e derrame pericárdico ou pleural.

Em 1.998, passamos a seguir uma rotina que inclui amniocentese, não só para espectrofotometria do líquido amniótico, mas também, para a tipagem do grupo sanguíneo fetal através de PCR. A amniocentese é um recurso válido por ser menos invasivo e permitir monitorar o feto, associando-se os resultados obtidos aos dados ultra-sonográficos.

Evitamos utilizar cordocentese apenas com a finalidade propedêutica, utilizando-a já com vistas à transfusão intra-vascular. Os principais parâmetros que norteiam a indicação desse procedimento são hematócrito e hemoglobina fetal. O volume de sangue transfundido é calculado em 30 à 50 ml por quilograma de peso fetal, estimado com base em ultra-som. Após cada tranfusão, procura-se manter a concentração de hemoglobina em níveis normais (12,0 à 13,0 g/dL).

Trabalhos recentes têm demonstrado que havendo dificuldade na realização da transfusão intra-vascular, a transfusão intra-peritonial poderá ser utilizada com eficiência equivalente.

Cirurgia intra-útero

Embora experimental, como por exemplo a utilização de laser para tratar a válvula da uretra posterior ou a síndrome de transfusão feto-fetal, esta é uma interessante modalidade de abordagem cirúrgica que poderá proporcionar muitos benefícios.

Atualmente, utilizamos as derivações para a cavidade amniótica utilizando o cateter conhecido como "pig tail". Nas indicações por obstrução da via urinária, avaliamos a função renal através de dosagens bioquímicas da urina do feto ( beta2microglobulina), sódio e osmolaridade, parâmetros ultra-sonográficos de funcionalidade ou de preservação anatômico do parênquima renal e, mais recentemente, através de biópsia do orgão.

A derivação vésico-amniótica é realizada em ambiente cirúrgico e a mãe é anestesiada. Em casos bem selecionados, tanto as derivações pulmonares, como as pleurais e as da via urinária tendem a render bons resultados.

Hoje em dia, há uma tendência à moratória para derivações do sistema nervoso central, especialmente em casos de hidrocefalia. Considera-se que essas derivações não beneficiam de modo concreto a evolução do recém-nascido.

Uma outra alternativa de tratamento fetal é a punção de cistos pulmonares únicos ou múltiplos, como os que ocorrem na doença adenomatóide cística de pulmões.

PRIVACIDADE | FALE CONOSCO
Copyright 2007/2007 Clínica Prof. Dr. Thomaz Gollop - Desenvolvido por Kaeru Comunicação